Marilyn Chambers
Marilyn Chambers foi uma intérprete americana de cinema adulto e um dos rostos do início dos anos setenta, quando os longas ainda eram rodados em película, anunciados nos jornais e vistos em salas onde entrava gente que nunca se chamaria de cliente do ramo. Ela veio do trabalho de modelo, e isso aparecia. Chegava com uma calma de quem estava acostumada à câmera, um olhar reto e um verniz de subúrbio arrumado que a fazia parecer a moça da casa ao lado em vez de uma curiosidade. Alguns créditos a listam como Marilyn Ann Taylor. Quando a década virou, o nome dela sozinho abria um filme.
Na tela, trabalhava com uma franqueza rara para a época. A câmera ficava perto, as cenas eram construídas em torno do corpo dela e não do diálogo, e ela encarava a lente em vez de desviar. Nudez frontal completa, um jeito sem pressa de se mostrar, um sorriso que chegava na hora errada e tornava tudo cúmplice. Ela não era uma figura passiva naqueles filmes. Dava a temperatura da cena, e os homens ao redor se ajustavam. Esse controle é a parte do trabalho dela que envelheceu melhor.
A passagem para o público geral não foi simples. A atenção chegou, depois recuou, e ela continuou trabalhando num negócio que já mudava sob os pés dela: a película cedia ao vídeo, os longas às cenas, as salas às salas de estar. Durou mais do que a onda que a tinha levado até ali: em turnês, em aparições, fazendo o trabalho pouco glamouroso de ser um nome que ainda vendia ingressos. Não há um arco arrumado nisso. Uma intérprete que vira símbolo cedo passa o resto da carreira ao lado do símbolo, e ela fez isso com mais elegância do que a indústria merecia.
Ela morreu em 2009, e os obituários que vieram gastaram quase todo o espaço nos primeiros anos da carreira, o que é injusto e compreensível ao mesmo tempo. Os primeiros filmes são os que mudaram o que o cinema adulto podia se permitir, e nenhum trabalho posterior competiria com isso. Fica um conjunto curto e afiado de longas, um punhado de fotografias e um nome que ainda funciona como atalho para uma certa confiança dos anos setenta. Ela nunca foi uma inocente e nunca fingiu ser. É por isso que a imagem se sustentou.